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Foto da Hayley om Lettering

O currículo dela é extenso: tradutora, escritora, pesquisadora, feminista e ativista. Aos 29 anos, Hailey Kaas (@transqueerfem) é uma mulher trans revolucionária #girlpower. Formada em Letras, foi na faculdade que ela teve seu primeiro contato com o feminismo e não parou mais. Mergulhou na leitura de autoras feministas, entrou para um coletivo de mulheres, passou a pesquisar sobre questões de gênero e sexualidade. Descobriu que informação é poder. Poder de decisão sobre o próprio corpo. Poder de existir plenamente. Poder de ser livre e, finalmente, passar pelo processo de assumir sua identidade como transgênero.

Ao lado de outras mulheres e homens trans, Hailey tomou para si a tarefa de disseminar todo esse conhecimento que acumulou ao longo dos anos e, em 2011, criou o blog Transfeminismo. Não demorou para o projeto crescer e se tornar um coletivo virtual, com o poderoso compromisso de ser um instrumento de educação. E, com ela, missão dada é missão cumprida! O primeiro texto publicado pelo coletivo foi pioneiro no uso do conceito de cisgênero no Brasil. A tradução do termo - utilizado para se referir à pessoa que foi designada “homem” ou “mulher” ao nascer e se sente bem com isso – foi fundamental para ampliar o debate sobre identidade de gênero no país e incluí-lo nas pautas feministas. “Se, hoje, a gente vê até celebridades falando em cisgênero, muitas vezes pessoas de fora da nossa bolha, é porque nós tivemos esse trabalho de traduzir, contextualizar e divulgar o conceito. O que me deixa muito feliz porque foi uma conquista nossa, resultado de muita luta e desgaste", conta.

No dia a dia, Hailey mantém uma rotina de muito estudo, pesquisa e informação. Na primeira hora do seu expediente de trabalho, ela acessa portais de notícias para se inteirar sobre o que acontece no país e no mundo. É nesse momento que surgem muitas das pautas que os leitores acessam no site do Transfeminismo. Foi assim quando o coletivo se posicionou, recentemente, sobre uma reportagem veiculada em rede nacional que acusou um homem trans de falsidade ideológica. Ou quando o Supremo Tribunal Federal discutiu a criminalização da homofobia e transfobia. “Ter acesso a esse tipo de informação, facilitando a compreensão de conceitos, por exemplo, é fundamental para que as pessoas possam questionar mais as notícias que consomem”, explica. Essa, inclusive, é a dica que ela dá para quem deseja seguir no ativismo: tenha cuidado com a quantidade e a qualidade da informação que consome. "De preferência para veículos de comunicação que têm mais prestígio, que fazem pesquisa, que têm fontes. É fundamental fazer uma pesquisa profunda, checar dados, ler produções científicas como forma de embasar e corroborar o seu discurso. ”

Facilitar, aliás, é uma palavra que define bem o trabalho de Hailey como ativista. A escolha de militar em um ambiente virtual não foi por acaso. A gente bem sabe quanto tempo passamos dando like, lendo posts e comentando nas redes sociais, não é mesmo? Nada mais natural que aproveitar esse espaço onde estamos cada vez mais presentes para alcançar cada vez mais pessoas! Ela costuma atualizar diariamente os perfis no facebook @transfem e no twitter @transfeminismo e acredita que a internet tem o poder de garantir o diálogo com quem não está familiarizado com as discussões sobre transfeminismo. “Ela é uma ferramenta muito poderosa para disseminar conteúdo, para o bem e para o mal, como vemos com as fake news. Mas o ativismo virtual é muito importante pelo seu poder de alcance, muitas vezes furando a nossa bolha, promovendo a discussão de uma forma mais macro. O nosso desafio, agora, é conseguir melhorar a qualidade desse debate.”

Mas Hailey também sabe que é importante ocupar espaços. É por isso que ela faz questão de levar as pautas de mulheres e pessoas trans para palestras e cursos presenciais, além das consultorias e treinamentos para agências e marcas sobre questões LGBT. “Não podemos perder a oportunidade do contato, de se olhar. Isso naturaliza nossa presença, descentraliza a informação, revoluciona.”

Dentro ou fora da internet, Hailey é babado fortíssimo! E você? Qual é a sua causa?

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